Diretório Litúrgico | Quaresma | Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos

  


DOM GREGORY MENDES 
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA 
PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS

A todos os que leram deste Diretório, saudação paz e bênçãos no Senhor.

 ORIENTAÇÕES LITÚRGICAS PARA O TEMPO DA QUARESMA DE 2025

INTRODUÇÃO

A Quaresma é um período litúrgico significativo na vida da Igreja, composto por quarenta dias de preparação espiritual que conduzem à celebração da Páscoa, a culminância da vida cristã. Este tempo convida os fiéis a uma reflexão profunda, penitência e conversão, buscando uma renovação interior que os aproxime de Deus e de seus ensinamentos. Historicamente, a duração de quarenta dias remonta a eventos bíblicos significativos, como os quarenta dias que Jesus passou no deserto, jejuando e orando, enfrentando tentações e fortalecendo seu espírito para a missão que o aguardava. Este período simboliza um caminho de transformação, no qual somos chamados a abandonar práticas que nos afastam de Deus e adotar uma vida baseada no amor, justiça e solidariedade. Durante este tempo, a Igreja orienta os fiéis a intensificar três práticas essenciais:
Oração: Conecta-nos intimamente com Deus.
Jejum: Ensina disciplina e desapego das coisas materiais.
Caridade (Esmola): Impulsiona-nos a agir com generosidade em favor dos necessitados.
Essas práticas não são fins em si mesmas, mas meios que nos conduzem a uma verdadeira conversão do coração e a uma vivência concreta do Evangelho. Para a América Latina e países de língua espanhola, o período da Quaresma é marcado por atos de piedade popular que auxiliam na preparação para a Páscoa. Cada Conferência Episcopal determinará os itinerários quaresmais próprios para sua região, focados na idiossincrasia de cada país.

TEMPO DE CELEBRAÇÕES

A Quaresma inicia-se na Quarta-feira de Cinzas, que este ano ocorre em 5 de março. Este período abrange 44 dias, desde a Quarta-feira de Cinzas até a tarde da Quinta-feira Santa, quando começa o Sagrado Tríduo Pascal com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor. A Quaresma divide-se em duas partes:
—  Primeira Parte: Foca na conversão, desde a Quarta-feira de Cinzas até o Quarto Domingo da Quaresma.
Segunda Parte: Concentra-se nos eventos que levaram à morte de Jesus, iniciando no Quinto Domingo, período em que o prefácio utilizado nas celebrações é o da Paixão do Senhor.

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Neste ano, a Quarta-feira de Cinzas é em 5 de março. É um dia de jejum e abstinência obrigatórios. Na missa, os fiéis recebem as cinzas, que podem ser distribuídas também fora da missa, durante uma celebração da Palavra. Somente sacerdotes podem abençoar as cinzas, mas sua imposição pode ser realizada por qualquer ministro. Neste dia, os bispos devem usar mitra simples, totalmente branca, sem detalhes. Podem portar a cruz pectoral, o anel pastoral e o báculo. A mitra é utilizada conforme o costume nos demais dias da Quaresma, salvo em procissões penitenciais.

ORNAMENTAÇÃO DA IGREJA 

Durante a Quaresma, é proibido decorar o altar com flores, exceto no Domingo de Laetare (Quarto Domingo da Quaresma), solenidades e festas. Igrejas que desrespeitarem essa norma serão notificadas. Recomenda-se adotar objetos litúrgicos mais simples durante a Quaresma, conforme a tradição do Vaticano. O uso de incenso e do livro do Evangelho é permitido em todas as missas da Quaresma, especialmente aos domingos. Podem ser utilizadas duas, quatro ou seis velas sobre ou próximas ao altar, ou até sete se presididas pelo bispo diocesano. As imagens do Senhor Crucificado ou de seu Sagrado Coração podem ser expostas, conforme a tradição e necessidade para a Eucaristia.

VELATIO

 A prática de cobrir as cruzes e imagens na igreja pode ser mantida, conforme a decisão das Conferências Episcopais. As cruzes permanecem veladas até o final da celebração da Paixão na Sexta-feira Santa, e as imagens até antes da Vigília Pascal. As imagens e cruzes podem ser veladas no sábado anterior ao Quinto Domingo da Quaresma (5 de abril). Não é permitido velá-las antes dessa data. As cruzes devem permanecer veladas até o final da celebração da Paixão na Sexta-feira Santa. As imagens devem ser descobertas antes da Vigília Pascal. Para igrejas que seguem o rito extraordinário, as cruzes e imagens são cobertas no sábado anterior ao Primeiro Domingo da Paixão, permanecendo assim até a Adoração da Cruz na Sexta-feira Santa e o cântico do "Gloria" na Vigília Pascal.


CANTOS LITÚRGICOS

 Durante a Quaresma, a liturgia convida os fiéis a um espírito de conversão, recolhimento e penitência, refletindo sobre o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Os cantos litúrgicos devem expressar essa espiritualidade, evitando excessos festivos e dando prioridade a melodias que favoreçam a oração e a meditação. A liturgia recomenda que os cantos estejam alinhados com as leituras e com a espiritualidade quaresmal, destacando temas como conversão, misericórdia divina, penitência e esperança na Páscoa. A tradição litúrgica estabelece que o Glória não deve ser cantado, salvo em ocasiões solenes, e que o Aleluia seja substituído por uma aclamação apropriada ao Evangelho.

MISSAS VOTIVAS, EXÉQUIAS E MEMÓRIAS 

Durante a Quaresma, nos dias de semana, exceto na Quarta-feira de Cinzas, celebra-se a Missa correspondente ao dia litúrgico. Contudo, é possível utilizar a oração da coleta da memória indicada no calendário geral para aquele dia, com exceção da Quarta-feira de Cinzas.

As memórias obrigatórias que acontecem durante a semana na Quaresma só podem ser celebradas de maneira facultativa. Caso haja várias memórias facultativas para o mesmo dia no calendário, celebra-se apenas uma, deixando as demais de lado.

As Missas votivas são, em geral, vedadas, exceto em situações de extrema necessidade, e devem ser celebradas com paramentos roxos ou dourados.

Entre as Missas pelos defuntos, a Missa de exéquias é a mais importante, podendo ser celebrada todos os dias, exceto nas solenidades de preceito e nos domingos da Quaresma, respeitando as devidas normas litúrgicas.

DEDICAÇÕES E ORDENAÇÕES 

As cerimônias de dedicação podem ocorrer normalmente, salvo na Quarta-feira de Cinzas, utilizando-se paramentos brancos ou dourados.

As ordenações podem ser realizadas, desde que estejam em conformidade com a liturgia do dia, durante domingos, solenidades e festas dos Apóstolos.

As Missas rituais, que estão ligadas à celebração de certos Sacramentos e Sacramentais, são proibidas nos domingos da Quaresma, nas solenidades e na Quarta-feira de Cinzas, devendo ser seguidas as normas dos livros litúrgicos e das próprias celebrações.

PRATICAS DE PIEDADE POPULAR

A prática de piedade popular, como a Via-Sacra, a adoração ao Santíssimo Sacramento, as procissões e a recitação do Santo Terço, são preciosas para os fiéis que buscam um encontro mais profundo com Deus. Cada uma dessas práticas tem seu significado litúrgico e espiritual, que, vividas com verdadeira fé, conduzem a uma transformação interna genuína. Os bispos devem incentivar essas manifestações de fé em suas dioceses. A Via-Sacra permite que os fiéis acompanhem os passos de Jesus até o Calvário, em um ato de oração e penitência, unindo-se espiritualmente à Sua paixão. A adoração ao Santíssimo Sacramento é um gesto de reverência à presença de Cristo na Eucaristia, permitindo uma união com a fonte da vida. As procissões são formas visíveis de expressão da fé, onde os fiéis, seguindo imagens de Cristo ou Maria, demonstram sua jornada em direção à plena união com Deus. O Santo Terço oferece aos fiéis a oportunidade de meditar sobre os mistérios da vida de Cristo, sob a orientação materna de Maria.

Dado e passado em Roma, na sede desta congregação, no quarto dia do mês de março do ano da graça do Senhor de Dois Mil e Vinte Cinco.

† GREGORY SILVEIRA 
Prefeito

REFERÊNCIAS:
1. Normas Gerais do Ano Litúrgico, nº 28.
2. Cerimonial dos Bispos, nº 255.
3. Instrução Geral do Missal Romano, nº 305.
4. Misal Romano, p. 211.
5. Instrução Geral do Missal Romano, nº 62.
6. Cerimonial dos Bispos, nº 868.
7. Cerimonial dos Bispos, nº 494.
8. Cerimonial dos Bispos, nº 495.
9. Instrução Geral do Missal Romano, nº 354, 355.
Postagem Anterior Próxima Postagem