DOM DANIEL NUNES
TITULI DI ABITINE
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
PREFEITO PARA A DOUTRINA NA DA FÉ
Aos Reverendíssimos Sacerdotes, Diáconos e Ministros Ordenados da Santa Igreja,
A Santa Mãe Igreja, como fiel depositária da Verdade revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo, exorta a todos os seus ministros a viverem a Quaresma conforme os ensinamentos perenes da Tradição e do Magistério. Este tempo sagrado de penitência e conversão não pode ser deturpado por ideologias alheias à fé católica, as quais, com astúcia e disfarce, buscam desviar o clero e os fiéis do verdadeiro caminho da santificação.
A Quaresma é, por sua essência, um período de jejum, esmola e oração, os três pilares estabelecidos pelo próprio Cristo e que a Igreja, ao longo dos séculos, sempre preservou com zelo. Contudo, há tempos o espírito do mundo tenta corromper essa vivência autêntica, relativizando a necessidade do sacrifício e transformando o tempo quaresmal em um mero ativismo social, esvaziado de sua dimensão espiritual e penitencial.
É com grande preocupação que denunciamos a infiltração de ideologias modernistas e da chamada Teologia da Libertação, que, ao invés de conduzir os fiéis ao arrependimento dos pecados e à conversão interior, os incitam a uma visão meramente sociopolítica da fé. Essas correntes, alheias à Tradição Apostólica, procuram deslocar o eixo central da Quaresma – que é o arrependimento, a mortificação e a busca da santidade – para propostas que dissolvem a cruz de Cristo em uma agenda secularista, politizada e destituída da verdadeira piedade.
Por isso, ordenamos e reafirmamos solenemente:
1. O jejum não pode ser reduzido a simples gestos simbólicos ou a substituições que o esvaziem de seu caráter de mortificação e ascese. Ele deve ser praticado segundo a disciplina da Igreja, como meio de purificação da alma e de união ao sacrifício de Cristo.
2. A esmola deve ser exercida com espírito de caridade cristã, e não instrumentalizada para fins ideológicos ou políticos. A caridade não se reduz a uma luta de classes, mas nasce do amor divino e se concretiza na doação sincera ao próximo, sem viés materialista ou revolucionário.
3. A oração e a vida sacramental devem ser intensificadas, com especial ênfase na confissão e na participação piedosa do Santo Sacrifício da Missa, a fim de que os fiéis se preparem dignamente para a Páscoa do Senhor.
Assim, advertimos aos ministros ordenados que, em seu zelo pastoral, tenham extremo cuidado para não se tornarem propagadores de erros doutrinários disfarçados de "atualizações pastorais". A fé não pode ser adulterada para se adequar às ideologias do tempo presente, pois a Palavra de Deus é imutável e eterna.
Exortamos, pois, a todos os sacerdotes e ministros a serem sentinelas da Tradição, preservando a sã doutrina e guiando o povo de Deus pelo caminho seguro da santidade. Rejeitem-se, portanto, todas as tentativas de relativizar a Quaresma, obscurecendo-a com discursos que minimizam o pecado e o sacrifício, promovendo uma visão humanista desvinculada do sobrenatural.
Que a Virgem Santíssima, modelo de perfeita obediência a Deus, interceda por todos nós, para que possamos viver esta Quaresma com verdadeiro espírito de penitência e conversão.
Dado em Roma, junto ao Palácio Apostólico, sob a autoridade da Congregação para a Doutrina da Fé, aos oito dias do mês de março do ano do Senhor de dois mil e vinte e cinco.
✠ Dom Daniel Nunes
TITULI DI ABITINE
Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé

